segunda-feira, 1 de abril de 2013

*Eu estou num sonho






Eu sei que é um sonho porque tudo está muito lento e não há dor aqui, nem sons. Apenas medo.

Estou no caminho que leva para uma casa onde morei na minha infância. Uma casa afastada da cidade, cheia de árvores ao seu redor, jardins de flores selvagens e um igarapé cujo correr das águas barrentas se ouve por todo o bosque. Estou no portão de entrada, parado e olhando para a entrada principal da casa.

Já estou dentro, na sala onde nos reuníamos para assistir aos programas de domingo... irmãos, mãe, pai, primos... todos juntos rindo, alegres bobos diante de um tubo de imagens brilhantes e insossas. Mas agora está tudo em silencio; sem risos infantis, sem apresentadores senis chamando a bizarrice do momento, tudo está quieto e vazio... Eu posso sentir que praticamente não existo e me alegro ao perceber que sinto que isso é bom.

Mas há algo de errado, não estou sozinho.

Vou para o andar de cima, onde ficava meu quarto. Parado ao pé da escada, me pergunto se ela é realmente grande ou se sou muito pequeno; cada degrau para cima me leva a três degraus para baixo, cada passo me deixa mais distante do meu objetivo. Nunca foi tão difícil subir estas escadas, nem nos piores momentos da minha infância. Havia no andar de cima cinco quartos, o meu era o que ficava no fim do corredor. Era o mais amplo e tinha uma varanda donde eu podia colher com as mãos os frutos de uma imensa goiabeira, a  qual derramava alguns galhos nessa varanda da minha infância; goiabas, cajus e ovos de algum pássaro desavisado que fizesse ninho na varanda – era como alimentava os monstros que eu criava em baixo da minha cama.

Por que sempre volto ao mesmo lugar?

A porta do meu quarto está entreaberta, há movimento do outro lado da porta... Posso ver duas sombras fracas andando agitadas de um lado para o outro. Ergo minha mão na direção da porta e minha mão parece tão mais lenta e pesada... Quero escancarar a porta – “NÃO VOLTE PARA CASA” - grita uma mulher do outro lado do corredor.

Estou num sonho.

sexta-feira, 15 de março de 2013

OS OLHOS SÃO;





Porta que não se fecha, rastro de se perder. "Abismo de coisas medonhas", anzol sem volta... - Boa hora senhores, como vão minhas senhoras?

- A VIZINHA LOUCA me diz que é preciso ressuscitar velhas conversas, velhas maneiras de tocar o sexo com a língua... Hora quente, hora fria. - "ORGASMIZE-SE..". Grita a vizinha louca.

Não parece, mas os olhos dão a entender toda a agonia dum organismo em dor. Dão também a entender toda verdade dessa vida quando ela olhada de dentro pra fora, basta querer ver. Queres?

Espere, que personagens vejo?! Um ladrão, uma puta, um bêbado e um louco. Mas que fantástica trupe esta que vem viajando de tempo em tempo através dos primórdios; Senhoras e senhores eu vos apresento o nascimento do teatro.

Sim reconheço cada uma dessas personagens, ainda são os mesmos e estão por toda parte, conheço uma em especial, a alegre puta. Amor foi a palavra que me veio a cabeça quando a encontrei a exatos 17 anos. Jurei lealdade a essa moça de vestes esvoaçantes e boca gostosa.

Minha menina, minha moça, minha puta! És pra mim isso que sou pra ti; um problema, uma dívida, uma vontade contida de gritar e gozar o dia inteiro. - Minha língua, este satélite dando voltas e mais voltas nos teus seios. -

Esta noite farei poemas e beberei vinho lembrando-me das horas em que descançávamos um carne sobre a  outra sem pressa, sem medo e sem votade de parar. Beberei vinho e esperarei pelo momento em que novamente estaremos juntos, na mesma casa, na mesma ilha que é quando farei morada no teu templo.

Já passamos muito tempo separados, e  ora, admitamos que cada um desses dias separados é uma exceção á vida e tal exceção é no mínimo ridícula.

Vejo tudo isso e não consigo não ver.



sexta-feira, 1 de março de 2013

Sem Medo



Naquela casa, naquele quarto fechado e sem o menor perigo de interferencia do mundo, ele descansava.

Deitado na cama, com a cabeça apoiada num travesseiro surrado e molhado de suor, ele atento a observava. Enquanto ela se arrumava, colocava o brinco na orelha esquerda, passava a mão no cabelo, ele olhava a suas costas nuas e pensou que não havia no mundo inteiro um lugar onde desejasse estar, senão ali, olhando aquelas costas brancas e nuas.

Lembrou da primeira vez que viu aquela pele branca e da primeira vez que desejou transar com aquela mulher, foram momentos diferentes. Emoldurou na retira o momento primeiro em que beijou aquela nuca, tocou aqueles mamilos rosados e ainda lembra com perfeição do timbre do primeiro gemido arrancado daquela garganta... sentiu tesão novamente.


-Não sai, nada faz muito sentido lá fora.
- Não tenha medo meu bem, descansa que eu te quero bem quando voltar.
- Tchau.
- Tchao...

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

UMA ÓTIMA ATRIZ



Lucides perigosa,
naquele tempo tu tinhas cheiro de sonho e lagrimas. 


Fui eu quem ficou acordado até mais tarde e esperou e fui  eu quem desejou ter morrido no final de cada ato.




Black/ luz sobe em resistência/ pino



Atriz - Eu fui feliz. Eu juro que fui feliz.




Eu acreditei quando na cena, sete vezes, tu juraste que me amava mas não era pra mim que olhavas na plateia.



Um bom roteiro, uma personagem muito bem desenhada, texto muito bem decorado e dito.


Parabéns, belo espetáculo.