Ao lado do prédio onde ela morava, numa rua esquecida dalgum lugar que não parece em mapa algum, havia uma pintura na parede. Aquilo era pra ela tanto enigmático quanto simples. Ela passava horas do dia olhando para aquela parede, não se alimentava, não pensava na vida. Um dia um anjo enorme desceu sobre sua cabeça num sonho torpe que ela teve depois de passar o dia olhando para aquela imagem. Esse anjo carregava nos braços uma criança morta e ela soube de uma maneira bem escrota, que ela era aquela criança. Mas como? Se lá estava ela vivendo, andando pelas ruas e olhando a si morta nos braços de um anjo, como? Naquele dia ela teve febre o dia inteiro. Vomitou pedaços de seu estomago que em seguida plena de desespero e tentava engolir como a tentar emendar uma coisa que já estava praticamente morta. Ela comeu e vomitou a si mesma por horas. Os vizinhos acudiram, deram-lhe de beber, acho que pra se sentirem menos culpados por não terem ajudado logo. Ela dormiu quando a noite chegou e pela manha o corpo havia desaparecido. Nem rastro, nenhuma pista de pra onde ela teria ido ou teria sido carregada. Pra surpresa de todos, ela estava pintada na parede que tanto admirava. Estava bela, sem sofrimento, sem dor. E esta alegria ali pintada na parede acusava a todo e todos passaram muitos anos calados, se coragem pra olhar para aquela pintura na parede.
PEQUENO ENSAIO SOBRE A SOLIDÃO
ERMO E DESABITADO...
terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
sábado, 25 de fevereiro de 2012
Tão bonita manhã
Aquele vidro mínimo de perfume caiu e se quebrou bem próximo dos meus pés, ele ja estava guardado ali a pelo menos treze anos. Não sei bem por que eu ainda o tinha guardado (pensando bem eu sei sim) o fato e que aquele minusculo frasco de perfume, de cor amarela e com uma inscrição em fracês, inpronunciavel para alguém como eu, remonta a tempos de pura delicadeza, onde um gesto era apenas um gesto e uma promessa tinha força e sinceridade pra durar uma avida inteira!
A muito decidi não joga-lo fora, me desfiz de tudo menos dele. Exatamente por que ele me trazia a lembrança dum colo quente, duma nuca gostosa de beijar e da pele cheirosa e completamente arrepiada sempre que eu fazia isso.
Agora ele está ali quebrado, em talvez, minhões de indecifráveis partículas... E cada partícula invisível é um beijo, cada átomo girando dentro da matéria é um motivo, o atrito freia minha vontade de esquecer... Ouço o barulho de vidro se quebrando e desperto do desse vórtici de lembranças, na lembrança de uma gargalhada.
E justamente agora que eu já tinha esquecido aquele cheiro...
'Ne vous aime pas plus, bébé' acho que foi isso que ela disse e ao perceber que entendia, um pedacinho da minha alma se desprendeu de mim e voou na direção do infinito...
Dou um passo pra trás e corto meu pé num pedaço de vidro, um pouco de sangue suja o assoalho - "Muito apropriado, foi assim sempre..." - Penso alto, antes de rir com certo sarcasmo.
Eu não merecia lembrar de tudo isso de novo...
A muito decidi não joga-lo fora, me desfiz de tudo menos dele. Exatamente por que ele me trazia a lembrança dum colo quente, duma nuca gostosa de beijar e da pele cheirosa e completamente arrepiada sempre que eu fazia isso.
Agora ele está ali quebrado, em talvez, minhões de indecifráveis partículas... E cada partícula invisível é um beijo, cada átomo girando dentro da matéria é um motivo, o atrito freia minha vontade de esquecer... Ouço o barulho de vidro se quebrando e desperto do desse vórtici de lembranças, na lembrança de uma gargalhada.
E justamente agora que eu já tinha esquecido aquele cheiro...
'Ne vous aime pas plus, bébé' acho que foi isso que ela disse e ao perceber que entendia, um pedacinho da minha alma se desprendeu de mim e voou na direção do infinito...
Dou um passo pra trás e corto meu pé num pedaço de vidro, um pouco de sangue suja o assoalho - "Muito apropriado, foi assim sempre..." - Penso alto, antes de rir com certo sarcasmo.
Eu não merecia lembrar de tudo isso de novo...
terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
A vida é cheia de som e fúria - 2
Seria crime perguntar por que o amor acabou?
Se eu pudesse mudar isso em que eu me transformei, eu não faria, mesmo agora e com tudo isso!
Quando uma pessoa se apaixona, ou ama ela entra num sono mórbido, torpe que a faz cair, cair e cada vez mais pra dentro de sim. ela tem então a chance de se conhecer ou ao contrário disso se esconder e assimilar a máscara do outro e isso é uma merda! Primeiro por que isso não é uma opção; qualquer uma dessas coisas é jogado no colo de quem se apaixona e não se pode escolher entre uma ou outra. Na maioria das vezes, tu nem sabes oque ta acontecendo! E tu vais caindo e tentando se agarrar sempre que tuas mãos e pernas batem em qualquer coisa, as vezes são folhas. as vezes fardos, os quais, na maioria das vezes, tu nem precisas mas não sabendo direito pra onde caminhas, ou cais, vai te agarrando e tumultuando tudo.... As vezes levando um monte de gente junto. Gente que já estava em processo de recomposição... E isso é ruim por que se reorganizar leva tempo.
(....)
Eu sei que aos olhos daqueles que nunca amaram, isso tudo pareceria infâmia, covardia e tantos outros nomes que eles adoram usar e usam ( eles devem ter uma lista enorme...) quando encontram, de tempos em tempos, o seu judas social. Eles precisam dessa merda. Mas eu vou te dizer uma coisa: eu vivi essa merda toda com todo o vigor, estive bem próximo disso que eu sou e me olhei de frente sem medo, sem piscar, sem olhar pra trás, eu estive lá, de frente pra tempestade e me desgastei com a solidez tenaz de uma rocha que solitária enfrenta o mar e espera o barco. Eu não menti, eu não cruzei os braços diante de certas covardias, de certas injustiças, eu me enfrentei. Eu não participei dessa mentira. Eu vivi o amor na forma mais crua que ele possa se oferecer! não esse amor de mentirinha, dos contos de fadas, da bíblia. Não esse amor que ilude, e que ao contrário do seu propósito, se tornou a grande panaceia da humanidade, se tonou "essa grande ilusão social que é a unica coisa que impede que eu e tu arranquemos com as mão e comamos as tripas um do outro". Eu renunciei a toda essa bosta quando eu resolvi olhar pro rio que se formou dentro da minha alma quando eu descobri que te amava.
Seria crime não entender por que ele acabou, pois ele morreu bem ali na minha frente... Sufocado entre os dedos das minhas mãos.
Mas eu tenho lembranças das quais eu nunca vou abrir mão; As três letras do teu nome, Chat Baker se arrastando pela porta entreaberta, o teu sexo molhado, tua fome pela vida, toda a magia que envolvia aquela sala, o teu gosto pela música, a força incalculável do teu riso, tua vontade exagerada, o timbre da tua voz no escuro...
"O cão ouviu nossos sussurros na madrugada e latiu"
Jhonny Russel
sexta-feira, 6 de janeiro de 2012
Te alimenta, procura um tempo pra ti, te refaz
Na verdade isso tudo eu inventei agora, e tu continuas por fora da historia e continuas sem te conhecer...
Como dizer?Olhe pro espelho quantas vezes achares necessario, ele só vai te mostrar a verdade.
Se me matassem hoje, tudo bem. Mas se me dissessem que amanhã não amanheceria eu disfarçadamente desligaria as luzes da minha casa e tristonho me trancaria no meu quarto. Chorando, talvez, mesmo não acreditando em deus, eu ensaiasse uma oração, não por minha alma, pois nem julgo ter uma, mas por alguns poucos que eu conheço e tenho certeza que merecem ver o sol nascer.
Acho que tu estás precisando descançar, só isso...
quinta-feira, 6 de outubro de 2011
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
lucides perigosa
Naquele tempo tu tinhas cheiro de sonhos e lágrimas...

Por que fui eu quem mas esperou uma resposta que nunca viria, eu estive todos os dias naquele cais, desenjando que o vento me trouxesse algo bom e fui eu quem desejou nunca ter morrido naquela tarde...

Por que fui eu quem mas esperou uma resposta que nunca viria, eu estive todos os dias naquele cais, desenjando que o vento me trouxesse algo bom e fui eu quem desejou nunca ter morrido naquela tarde...
sábado, 17 de setembro de 2011
Jaune (amarelo)
E você não vinha. Então a segunda - feira já estava acabada, as vizinhas já voltavam da missa, o caminhão do lixo meus olhos já viam no fim da rua. E você não vinha.
Então na terça as ruas ficavam alagadas, a chuva machucava as asas e as pombas morriam na avenida principal.
Na quarta - feira chegava propositalmente atrasada, embalada na esperança de ver minha calçada com pegadas que coubessem nos seus pés, mas nada havia além de toda sujeira dos gatos, então eu entrava em casa, e o rádio falava de sangue, e a televisão mostrava o sangue, e o jornal avisava que o governo estava pensando em mudanças para acabar com os delinqüentes, e na rua eu os ouvia, e eles buscavam uma maneira de avisar que precisavam de um emprego, e o governo achava muito mais barato abrir jaulas no meio da selva de concreto. E você não vinha.
Na quinta-feira eu via o seu cartaz de estréia na frente do teatro, estréia na Comédie-Française, e eu me lembrava que não estava em casa, devia te esperar no continente que era cortado pelo oceano, esperar o dia em que você completaria algum número significativo de apresentações, o dia que para você não importaria esquecer quando nos esbarramos no lado mais escuro da cidade, não importaria lembrar o quanto éramos ricos em palavras e pobres em atos, te faria feliz lembrar de quando éramos dois anônimos, sentados em qualquer café rindo alto, ou em qualquer bar tentando te ensinar português enquanto ria de te ver vermelho por causa da pimenta, e você ria do leiti quenti, e eu nem tentava falar s'il vous plaît e ninguém importava, ninguém queria saber de nós, além do garçom que para você era também ''menino'' e para mim sempre foi o garçom.
Na sexta-feira eu só conseguia lembrar de maybe, maybe, maybe... Como estes sinais amarelos nos fazem pensar.
Gosto muito das coisas que essa moça escereve...
Roubei da Maria :http://borboletacarnivora.blogspot.com/
Roubei da Maria :http://borboletacarnivora.blogspot.com/
quarta-feira, 7 de setembro de 2011
Não vou permitir novamente que minha mão vague a tatear no vazio de um quarto escuro.
Daquela tarde eu lembro das andorinhas no quintal de casa, lembro dos teus olhos vernelhos, os pratos quebrados na pia, o resto do bolo da festa de aniversario da noite anterior, o vento que trazia a areia salgada da praia.Da noite anterior lembro dos pés molhados e da boca seca, as nuvens nuas lá longe deitando sobre nós uma sombra de conforto e certeza de que o mundo nunca acabaria, ao menos não naquela noite, poemas sujos lidos ao bom gosto de vinhos doces e cigarros improvisados.
Lembro também das mãos suadas, da carne trêmula sob uma colcha de retalhos também vermelhos e dos teus olhos azuis que sempre me confundiam de modo a não me deixar saber se era céu ou oceano aquilo que eu via quando te olhava.
PS. De manhã eu acordei e antes de abrir os olhos eu pensei; Tomara que tudo tenha sido apenas um terrivel pesado, mas quando olhei meus pesadelos estavam lá, sentados à cabeceira da minha cama e disseram: "Bom dia menino jhonny, estavamos só te esperando pra começar..."
segunda-feira, 5 de setembro de 2011
Sem título ( Sugira um titulo pra esta postagem)
E os olhos dela derramavam luz na seda da minha gravata suja e amarrotada
O dia seguia sem muitas promessas, se alongando mais do que o necessário em tempos de extrema loucura e vazio.
Era cedo ainda pra sair; a luz lá fora nos cegaria e nos mandaria pra o inferno assim que um raio seu atingisse nossas retinas... A noite se recusava descer sobre nós, a escuridão teimava em não nos abraçar.
Nosso desejo era que o sol desabasse pra o outro lado da terra e por lá ficasse por muitos anos, por um sem contar de tempo... A cinza dos cigarros repousavam sobre o carpete, sobre os copos na mesa sobre nosso vidas. O cinzeiro permanecia limpo, intocado.
É claro que todos nós estávamos muito assustados ali dentro; quando será que vão arrombar as portas? Quanto tempo teríamos até que o medo, o senso de moral de quem não tem moral, destruísse tudo ao redor? Se arrepender, buscar um deus longínquo, sem rosto e imaginário seria de alguma valia na hora em que estivessem enfiando estacas nos nossos corações amaldiçoados?
A chama dos nossos olhos brilhava na penumbra daquela sala, tínhamos ali o futuro e a possibilidade do presente sem pagar nada por isso. Quando foi que porta se fechou pela ultima vez?
Quando te olhei pela ultima vez, percebi que eras a fraca sombra daquilo que conheci; os poemas, os risos, tua maquiagem, a cor da tua pele, o desejo exasperado pelo teu quadril nu, nada mais fazia sentido no momento em que te elevavas ao teu tempo de origem... Não disseste nada, com um sinal pediste um cigarro, te dei... Não me despedi, não te dei um ultimo beijo, te deixei partir.
Permaneci quieto enquanto as pessoas desapareciam uma a uma naquele principio de noite, naquele fim de vida que foi o ultima dia da alvorada deste tempo.
segunda-feira, 22 de agosto de 2011
Pequenos malditos...
Na minha despedida teve um café forte pela manhã pra aguentar a longa viagem, o dia e tudo aquilo o que ele traria,
Teve flores em um vazo muito bonito colocado sobre a toalha branca, num ponto demoradamente estudado da mesa, teve um bilhete amassado e manchado que fora guardado por longos anos... Teve olhos mareados e um cigarro pra anestesiar a dor nos pulsos que ainda incomodava. - "Vai cicatrizar logo" - pensei antes de sair.
Tanto tempo depois eu ainda lembro daquela manhã como algo muito recente, tavez por que nenhum de nós tinhamos a ideia, ou esquecemos, por puro querer, que as coisas boas uma hora acabam, fato exposto e experimentado por quem viveu naquela cidade por um tempo... Um tempo quase indefinido, quase infinito, quase melhor que hoje, um tempo quase bom.
Em 96 eu tinha 16 anos, escrevia poesia beatnik, dirigia um grupo de teatro da escola, cantava em uma banda e fazia a vida acontecer alí , bem na minha frente. O que ouve? Quem deixou aquele bilhete no meu caderno, quem desmoronou primeiro, quem não pediu ajuda... E principalmente por que nós não percebemos que eles precisavam de ajuda?
Por que eramos adolescentes egoístas, achando que faziamos parte de um movimentop vaguardista e não olhavamos pra nada além da nossa própria imagem refletida nos olhos dos outro. Nunca tivemos coragem de olhar com verdade pros outros....
Acho que professores deveriam ter mais cuidado ao explicar certas coisas a alunos de desesseis anos.
Agora as paredes estão vazias, os quadros estão nela dependurados por fios de memória tão frágeis...Esses quadros estão ficando borrados, cada quadro é um lápso, cada moldura um flash, um choque nas pupilas e eu me sinto aprisionado em cada uma dessas fotografias....Agora toda palavra é muda e não ha anestesicos... estou velho demais pra isso!
Teve flores em um vazo muito bonito colocado sobre a toalha branca, num ponto demoradamente estudado da mesa, teve um bilhete amassado e manchado que fora guardado por longos anos... Teve olhos mareados e um cigarro pra anestesiar a dor nos pulsos que ainda incomodava. - "Vai cicatrizar logo" - pensei antes de sair.
Tanto tempo depois eu ainda lembro daquela manhã como algo muito recente, tavez por que nenhum de nós tinhamos a ideia, ou esquecemos, por puro querer, que as coisas boas uma hora acabam, fato exposto e experimentado por quem viveu naquela cidade por um tempo... Um tempo quase indefinido, quase infinito, quase melhor que hoje, um tempo quase bom.
Em 96 eu tinha 16 anos, escrevia poesia beatnik, dirigia um grupo de teatro da escola, cantava em uma banda e fazia a vida acontecer alí , bem na minha frente. O que ouve? Quem deixou aquele bilhete no meu caderno, quem desmoronou primeiro, quem não pediu ajuda... E principalmente por que nós não percebemos que eles precisavam de ajuda?
Por que eramos adolescentes egoístas, achando que faziamos parte de um movimentop vaguardista e não olhavamos pra nada além da nossa própria imagem refletida nos olhos dos outro. Nunca tivemos coragem de olhar com verdade pros outros....
Acho que professores deveriam ter mais cuidado ao explicar certas coisas a alunos de desesseis anos.
Agora as paredes estão vazias, os quadros estão nela dependurados por fios de memória tão frágeis...Esses quadros estão ficando borrados, cada quadro é um lápso, cada moldura um flash, um choque nas pupilas e eu me sinto aprisionado em cada uma dessas fotografias....Agora toda palavra é muda e não ha anestesicos... estou velho demais pra isso!
Assinar:
Postagens (Atom)






