segunda-feira, 27 de julho de 2009

Vinte e poucos anos





Quando eu era criança eu gostava de ficar olhando pras nuvens... que se mechiam calma e quase ipnóticamente viajando e eu nunca soube dizer pra onde.


Eu ficava horas olhando pra elas e imaginando bichos, lugares, pessoas e outras coisas muitas no silencio e na paz das nuvens que la em cima se moviam.



Quando eu era criança eu gostava de ficar no escuro, de olhos bem abertos no negrume absoluto, num breu, que só hoje eu sei, refletia a minha alma.



Eu ficava la acordado por horas antes de cair no sono e enquanto ele não vinha eu ficava buscando, naquelas imagens que se formavam na minha frente, algum sentido por mais alegórico que fosse, praquela vida que eu começava a levar. Naquela vida pra qual eu não encontrava sentido algum. E a pesar da falta de referencias, apesar da falta de seginifcado pra minha suposta existencia eu me considerava expecial.


Um dia enfim eu percebi que não era especial porra nenhuma mas não me senti tanto pior eu ja me sentia desde sempre.



Eu não engulo vidro, pensei certa vez e comecei a entender certas coisas; que a humanidade nunca vai mudar, que existem verdades absolutamente dispensáveis à vida das pessoas, que eu estava sozinho.



Depois, quando eu não era mais criança, continuei procurando sentido pras coisas que eu falava e ouvia. A resposta era o mesmo siliencio cheio de paz que me confortava na minha infancia quando olhando pra o céu, eu me reconhecia em cada nuvem.



Então eu não queria mais ser- humano. Não queria mais esta maldição a que damos o nome de coinsciencia. Eu não queria mais sustenatr esta figura humana e tão decadente.


A primeira atitude que tomei foi me calar diante dos homens. Não mais falava e depois de algum tempo também não mais ouvia, esqueci meu nome e não reconhecia em nenhuma atitude humana qualquer semelhança naquilo que eu reconhecia como humanidade.



Eu neguei tudo oque pudesse lembrar em mim algo de rude, de mediocre, de enfermo e de humano. E na tentativa de esquecer o código genético sapiente, nessa ofensiva negação da minha natureza eu fiquei em duvida entre me tonar uma maquina ou me tornar um bicho.




Doutra feita, me disseram que todos tem em algum lugar uma coisa chamada alma-gêmea e que a isso procuramos - Eis algo que vale a pena ir buscar - Pensei.



Um dia percebi que minha almagêmea sempre tivera o peso, o fedor e de fato sempre fora um cadaver que por toda a vida eu carreguei comigo, e como a me recusar a aceita uma perda segui mais calado ainda. Mas não se pode perder uma coisa que nunca se teve então não ha nada pra se aceitar.





Deixei pra trás tudo isso. Veio a primeira paixão, a segunda, a terceira e apesar do refrão previsivel, também uma quarta paixão.


Me veio o mundo, as pessoas, a solidão, o tempo e nenhum ato de heroismo.


Eu meio-jovem ou quase-jovem ou ainda; menos-assim me tornei um semi-delinquente um apagador de uma historia que nunca fora escrita.


Viví em guetos, comia oque encontrava sem me preocupar se aquilo ia me alimentar ou não. Desfalcado de um sentido de lar apenas fui... Percebi que deveria parar de me preocupar com quem eu era ou se era bom ou mau... Isso eu ia perceber a medida que me inventaria.

Assim fui crescendo me aproveitando das migalhas emocionais que nunca me faltaram. Eu nunca tive nada que fosse meu de verdade e nunca fiz planos.Eu nunca quis ser rico, eu nunca quis ser esperto...

Hoje eu não sou mais moço e també não sou velho... Mas to na metade do caminho.


Uma vez a muito tempo eu desejei ser especial, mas como eu ja disse isso foi a muito tempo.

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